Bem-Vindos

Sejam bem-vindos! Este Blog é para publicar minhas impressões sobre diversos assuntos, frases legais, músicas, argumentações, enfim. O objetivo principal, entretanto, é estimular a memória das pessoas, para que guardem as coisas boas!! Para que deletem o que não lhes acrescenta... Guardar ressentimentos para quê? Se afinal, cada pessoa há de ter coisas muito melhores para ocupar seus pensamentos.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Frases Feitas

Há várias ocasiões na vida em que as "frases feitas" sempre caem bem! Vou colocar algumas que costumo usar aqui:

"Se choras porque se foi o teu sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas..."
"Sorria que o mundo sorri para ti, pois se chorares... chorarás sozinho"
"A vida é um espelho, sorria que ela vai sorrir"
"Amizade é sentir-se perto mesmo quando se está longe"
"A saudade existe não porque estamos longes, mas porque estivemos juntos um dia"
"Quando acreditamos que tudo vai mal, conforta-nos a idéia de que as coisas ainda poderiam estar piores...
E quando isso realmente acontece, conforta-nos a idéia de que as coisas, estando tão ruins, só poderão melhorar"
"Se algum dia encontrares todas as portas fechadas, não chores... não te desesperes... Pula a janeça, oras..."
Por enquanto são apenas estas... Mas ainda cabe uma e essa é a que eu mais gosto, já que minha família mora longe:
"Lembrar-se é Viver Outra Vez!!!"
Inclusive coloquei ela no banner do blog, pois acho que guardar as fotos dos bons momentos junto às pessoas que amamos é bom demais para que depois venhamos a recordar com mais facilidade dos momentos felizes ao lado de nossa família e amigos.

Bem, e é claro que assistir as fotos em forma de vídeo com fundo musical é melhor ainda!!!
Por isso que acho gratificante fazer meu trabalho de formatação, porque acredito que estou contribuindo para que as pessoas tenham boas lembranças!!!

Finalizo a postagem, porque não lembro de outras frases por agora... Mas hei de lembrar! E em uma próxima oportunidade venho publicar.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Todo o Mundo e Ninguém

Como havia mencionado na postagem anterior, aqui estou para falar acerca da outra peça encenada pela turma de teatro...
Desta vez, além de comentar, deixarei o link de onde encontrei, já que nele há informações mais completas sobre a história do texto de Gil Vicente.
O Auto da Lusitânia, uma das últimas peças de Gil vicente, foi escrito em 1531 e representado pela primeira vez em 1532, perante a corte de D. João III quando nasceu seu filho, D. Manuel.
A história por si só já é interessante, já que o conteúdo do texto, apesar de antigo, é bastante atual. Adaptei algumas falas para uma linguagem mais atual, porém no link abaixo poderá a peça ser vista no original.
A peça é dividida em duas partes distintas:

- na primeira parte, assiste-se às atribuições de uma família judaica;

- na segunda parte, assiste-se ao casamento de Portugal, cavaleiro grego, com a princesa Lusitânia. Dois demônios, Belzebu e Dinato, que aparecem no texto vêm presenciar o casamento e escutam o diálogo entre Todo o Mundo e Ninguém.

O autor deu o nome de Todo o Mundo e Ninguém às suas personagens principais desta cena. Pretendeu com isso fazer humor, caracterizando o rico mercador, cheio de ganância, vaidade, petulância, como se ele representasse a maioria das pessoas na terra (todo o mundo). E atribuindo ao pobre, virtuoso, modesto, o nome de Ninguém, para demonstrar que praticamente ninguém é assim no mundo.

"Todo o Mundo" era um rico mercador, e "Ninguém", um homem pobre. Belzebu e Dinato tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.
Vamos a ele:

Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:

Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil coisas ando a buscar:
mas delas não posso achar,
porém ando procurando
porque é muito bom procurar.

Ninguém: Qual seu nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Meu nome? Meu nome é Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo.

Ninguém: Meu nome é Ninguém,
e busco a consciência.

Belzebu: Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.

Dinato: Que escreverei, companheiro?

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.
e Todo o Mundo dinheiro.

Ninguém: E agora que buscas lá?

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.

Belzebu: Outra adição nos ocorre:
escreve logo aí, a fundo,
que busca honra Todo o Mundo
e Ninguém busca virtude.

Ninguém: Buscas outro maior bem qu'esse?
Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.

Ninguém: E eu quem me repreendesse
em cada coisa que errasse.

Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido?

Belzebu: Que quer em extremo grado
Todo o Mundo ser louvado,
e Ninguém ser repreendido.

Ninguém: Buscas mais, amigo meu?

Todo o Mundo: Busco a vida a quem me dê.

Ninguém: A vida não sei que é,
a morte conheço eu.

Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte?

Belzebu: Muito engraçada:
Todo o Mundo busca a vida
e Ninguém conhece a morte.

Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
sem me Ninguém estorvar.

Ninguém: E eu ponho-me a pagar
quanto devo para isso.

Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve
que Todo o Mundo quer paraíso
e Ninguém paga o que deve.

Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
e mentir nasceu comigo.

Ninguém: Eu sempre verdade digo
sem nunca me desviar.

Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso.

Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,
E Ninguém diz a verdade.

Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo o Mundo é lisonjeiro,
e Ninguém desenganado.
Clique aqui e leia mais sobre a história que é contada na peça “O Auto da Lusitânia”

Millôr Fernandes

Eu não sabia que era de Millôr o texto a que vou me referir em seguida, porém é dele!

Conheci esse texto no ano de 2000, quando eu fazia parte da turma de teatro do colégio. Meus colegas é que apresentaram numa peça durante as festividades pelo dia do estudante (ou seria o aniversário do colégio?).

Bem, eu me lembro de ter ficado com a tarefa de abrir e fechar as cortinas, afinal entrei na turma de teatro, mas não me achei apta a desenvolver nenhum talento por lá que não fosse o de abrir e fechar as cortinas. Mas, alguém precisava fazer isso não é mesmo?!?

E a idéia principal era não precisar fazer educação física, já que poderíamos optar por uma coisa ou outra... O fato é que no ano seguinte, por alguma razão que hoje desconheço, embora ainda poudesse ser feita a escolha, eu voltei às aulas de educação física.

Bom, mas vou copiar aqui o texto da peça, que faz parte do livro Fábulas Fabulosas e, pelo que pesquisei, se chama “O destino... à maneira dos coreanos”. Em uma próxima oportunidade vou trazer o outro texto apresentado por minha turma e que também é muito interessante e legal:

Encontraram-se os dois chineses.

— Olá, Shen-Tau, por onde andou?

— Ah, passei seis meses no hospital, Shin-Fon.

— Eh, isso é mau!

— Nada. Isso é bom: casei com uma enfermeira bacaninha.

— Ah, isso é bom!

— Que o que — isso é mau. Ela tem um gênio dos diabos.

— É, isso é mau.

— Não, não, isso é bom: o avô dela deixou uma herança e eu não preciso trabalhar porque ele acha que só eu sei cuidar do gênio dela.

— Oh, oh, isso é que é bom!

— Oh, oh, isso é que é mau! Com o gênio dela, às vezes não me dá um níquel. E como eu não trabalho, não tenho o que comer.

— Xi, isso é mau!

— Engano, isso é bom. Eu estava ficando gordo e mole — vê só, agora, o corpinho com que eu estou.

— É mesmo — isso é bom!

— Que bom! Isso é mau. As pequenas não me deixam e acabei gostando de outra.

— Êpa, isso é mau mesmo.

— Mau nada, isso é bom. Essa outra mora num verdadeiro palácio e me trata como um príncipe.

— Então isso é bom!

— Bom? Isso é mau: o palácio pegou fogo e foi tudo embora.

— Acho que isso é realmente mau!

— Mau nada: isso é bom. O palácio pegou fogo porque minha mulher foi lá brigar com a outra, virou um lampião e as duas morreram num incêndio. Eu fiquei rico e só.

— Isso… é bom… ou é mau, Shen-Tau?

— Isso é muito bom. Shin-Fon.

Moral: Nada fracassa mais do que a vitória, e vice-versa.



FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1979. p. 61-2.